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Notícias
Os riscos do corpo perfeito
12/06/2008

Uso indevido do hormônio do crescimento deforma o corpo e pode causar o diabetes
Músculos bem definidos podem esconder graves problemas de saúde quando fomentados por meio de um hormônio cada vez mais utilizado em academias e consultórios médicos.

Polêmico entre especialistas, o hormônio do crescimento, ou hGH, teve seus benefícios e conseqüências questionados principalmente no início deste ano, quando o ator Sylvester Stallone defendeu e recomendou a substância, admitindo utilizá-la para ficar mais "musculoso".

Por queimar gordura e aumentar massa muscular, o hormônio do crescimento se tornou uma tentação. Produzido naturalmente pela glândula hipófise, ele estimula a multiplicação celular, processo essencial para o crescimento desde os primeiros anos de vida. Mas para o endocrinologista Mauro Antônio Czepielewski, diretor da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o perigo do uso do hormônio, de forma não natural, está justamente no aumento da proliferação das células:

- Assim como os músculos dos braços e das pernas, o coração e os ossos também vão crescer. Isso certamente vai causar deformidades na estrutura do corpo.

Entre os principais efeitos colaterais do uso excessivo e prolongado do hormônio estão o diabetes, a hipertensão, as doenças articulares e a aceleração do desenvolvimento de cânceres. Além disso, o hGH causa inchaços e aumento das extremidades do corpo, como as mãos, os pés e o rosto - como ocorreu com Stallone.

Até hoje, não existem pesquisas que comprovem os efeitos do hormônio a longo prazo, mas os problemas podem ser facilmente identificados em pessoas com acromegalia, doença em que a glândula responsável pela produção do hGH libera quantidades maiores do que o normal.

- Muitas pessoas que fazem academia me procuram para usar o hormônio ou para dizer que já estão usando, mas eu não costumo recomendar justamente por não poder garantir os efeitos colaterais - diz a endocrinologista do Complexo Hospitalar Santa Casa e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Graciele Tombini.

A médica explica que o paciente tem de estar ciente dos efeitos e afirma que cada situação deve ser analisada individualmente. Em casos específicos, como os de insuficiência renal e de baixa estatura, causada pela deficiência do hGH, o tratamento com o hormônio é recomendado.

Apesar de proibido pelo Comitê Olímpico Internacional, por ser considerado doping, o hormônio do crescimento pode ser consumido indiscriminadamente por atletas informais ou pessoas que buscam um corpo perfeito sem esforço físico. Czepielewski, palestrante do 14º Simpósio Internacional de Neuroendocrinologia, no Rio de Janeiro, explica que o uso a curto prazo não se justifica, pois os efeitos benéficos não são satisfatórios. A longo prazo, os danos podem ser irreversíveis.

- Isso é um mito, é modismo. O custo-benefício para a saúde não vale a pena - afirma o endocrinologista.

O médico lembra que o sono de qualidade e os exercícios físicos são as melhores formas de liberar o hormônio naturalmente, sem riscos à saúde.

SABRINA SILVEIRA - Jornal Zero Hora